A história mostra-nos o mais largo horizonte da humanidade, oferece-nos os conteúdos tradicionais que fundamentam a nossa vida, indica-nos os critérios para avaliação do presente, liberta-nos da inconsciente ligação à nossa época e ensina-nos a ver o homem nas suas mais elevadas possibilidades e nas suas realizações imperceptíveis.(...)A experiência do presente compreende-se melhor reflectida no espelho da história. Karl Jaspers

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Baixa Mesopotâmia e Egito no milênio inicial da vida civilizada



O longo caminho em direção a urbanização na Ásia ocidental

Por volta de 7000 a.c à região do oriente próximo asiático já conhecia aldeias neolíticas, plenamente sedentárias. Quatro mil anos depois a Mesopotâmia estava urbanizada, com cerca de 14 cidades importantes, que subordinaram outras menores e numerosas aldeias. No velho mundo foi essa região a única a efetuar por si só o processo de urbanização, pois não dispunha de nenhum modelo para ser seguido. Foi necessário que se fossem encontradas soluções à medida que os problemas se apresentavam ao longo do período de urbanização. Dentre as dificuldades enfrentadas pelos habitantes da região podemos destacar: as cheias dos rios, a defesa do território, a disputa por recursos naturais e por áreas de comércio.
Apesar do efeito fertilizador oriundos das cheias dos rios serem um fator benéfico à agricultura, estas inundações ocorriam em um período em que os cereais cultivados já estavam crescidos, e a violência das cheias ameaçava levá-los de roldão, junto com casas e rebanhos. A forma de enfrentar este problema foi à construção de um complexo sistema de barragens, canais de irrigação e drenagem, cuja manutenção exigiam enorme e constante esforço.

Instituições administrativas

Aponta-se para a possibilidade de que três instituições fossem encarregadas de enfrentar as dificuldades sugeridas durante o processo de urbanização da Mesopotâmia, seriam elas: “Órgãos colegiados”, derivados ainda de organizações tribais; “Os templos”, entendidos também com complexo econômicos e administrativos, além das funções religiosas e o “Palácio real”, que igualmente ao templo possuía múltiplas funções.
Cabe ressaltar que em um período anterior aos templos como complexos políticos religiosos e administrativos, as decisões mais importantes eram tomadas por dois órgãos, são eles: O conselho de anciãos e a assembléia dos homens livres dos quais existem evidências de terem se perpetuado até mesmo depois da urbanização, apesar de ter sua importância bastante reduzida. Ainda no quarto milênio os templos são um complexo econômico, político e administrativo, já o palácio real como entidade desagregada dos templos segundo alguns arqueólogos, somente surgiu no terceiro milênio.

Diferenças administrativas entre a Mesopotâmia e o Egito

Dois fatores diferenciam a baixa Mesopotâmia do início dos tempos históricos (primeiros séculos suficientemente iluminados por fontes escritas) do Egito da mesma época. A primeira diferença marcante é estar a Mesopotâmia dividida em uma dúzia de cidades-estados, bem consolidadas e ciosas de sua independência, em contraste com a emergência do Egito histórico, já a está época consolidado como um reino centralizado em que o crescimento da urbanização era controlado pelo palácio real; a segunda diferença seria a de que em cada cidade da baixa Mesopotâmia existia privilégios fiscais, legais e de jurisdição, plenamente reconhecidos aos homens livres proprietários, vistos como um corpo de cidadãos dotados de direitos bem estabelecidos, coisa completamente desconhecida no Egito, em que o Faraó, o Deus vivo, tudo pode e tudo determina.

Das Cidades-Estados aos primeiros impérios Mesopotâmicos

Em toda a baixa Mesopotâmia, em meados do terceiro milênio, encontramos cidades-estados independentes. Cada uma delas com seu setor urbano, dividido em: “cidades amuralhadas”, “cidade externa”, situada fora dos muros e que entremeava zonas residenciais, terras cultivadas e estábulos e o “porto pluvial”, onde se encontrava o comércio exterior e onde viviam mercadores estrangeiros, proibidos de instalar-se na cidade amuralhada. Este setor urbano servia de núcleo a um “território de extensão variável”, que continha cidades menores, povoados, aldeias numerosas, campos e pastagens.
Nos templos, antes da existência dos palácios, moravam o En(senhor) provavelmente eleito pela assembléia dos homens livres,o “En” era uma espécie de sumo sacerdote, a assembléia também poderia eleger, mesmo temporariamente, um monarca, isto normalmente ocorria em ocasiões de grave perigo externo para a cidade. A monarquia dos primeiros tempos históricos seria então uma monarquia eletiva. Por isso, o rei deveria consultar a assembléia antes de empreender campanhas militares. Existem sinais que dão conta das possibilidades de ter ocorrido em torno da metade do terceiro milênio uma “realeza sagrada”. Estas indicações esparsas sobre as modalidades de governantes supremos na baixa Mesopotâmia, são, por vezes difíceis de conciliar e parecem até certo ponto contraditórias. Não é, portanto, desejável que se exclua a possibilidade de que tenha ocorrido uma heterogeneidade de uma cidade para outra.

A unificação da Mesopotâmia

O comando militar, necessário a defesa do território e das rotas comerciais bem como a conquista e ao saque, foi fator essencial ao surgimento de uma monarquia permanente, hereditária e separada dos templos. As funções político, administrativas e econômicas dos templos, assim como também a influência do conselho e da assembléia, diminuíram na medida em que se consolidava o poder monárquico. A partir de meados do terceiro milênio o particularismo das cidades-estados dá a impressão de chocar-se com uma consciência étnica unitária das comunidades da Mesopotâmia, servindo de base a hegemonias cada vez mais extensas, que acabaram por desembocar em impérios efêmeros, mas crescentemente coerentes com sua organização.

O 1º e o 2º Império

O primeiro dos impérios mesopotâmicos foi criado por Sargão I. Promoveu a nomeação de governantes acadianos, em muitos casos, parentes do próprio rei, com isto pretendia diminuir a autonomia das cidades-estados. O exército foi ampliado, assim como o palácio real e a máquina burocrática. Mesmo assim, o império acadiano não durou muito tempo, em função das revoltas internas e dos ataques externos. Após a queda do 1º império houve um período de descentralização e do domínio estrangeiro, os Gútios vindos do leste, dominaram parte da Mesopotâmia.
O segundo império teve a sua frente à 3ª dinastia da cidade de UR. Foi notável por seu controle econômico. De início compreendeu a Mesopotâmia inteira e algumas regiões exteriores, no entanto, apesar das precauções, como a separação dos poderes civil e militar, nas cidades dominadas, com a aplicação de um sistema de guarnições, possibilitadas por um grande contingente do exército, um bem organizado correio real, um sistema de remuneração dos burocratas, através de rações e da doação de terras em usufruto, foi empreendido grande esforço na direção da unificação legislativa que incluía a promulgação da primeira compilação importante de precedentes judiciários ou “julgamentos típicos”. Também este 2º império sucumbiu por revoltas internas e ataques vindos do exterior.

Consolidação de uma forma de governo

Ao termino do terceiro milênio, não obstante a fragilidade dos impérios reinantes, o regime monárquico está bem consolidado e apresentava contornos institucionais nítidos. No interior do estado, o palácio real se tornara muito mais importante econômica e politicamente mais importante que o templo. No entanto, mesmo durante o apogeu imperial o poder monárquico mesopotâmico nunca se aproximou do modelo autocrático do Egito. Mesmo reis que ousaram intitular-se “Deuses” reconheciam sua dependência para com as grandes divindades. E os homens livres, mais importantes, constituíam em cada cidade um corpo de cidadãos com direitos reconhecidos. O papel legislador do rei supunha como destinatário dos códigos legais promulgados, cidadãos que tivessem existência própria, não sendo estes exclusivamente súditos do rei. Ao monarca cabia a função de promover a justiça nos territórios sob seu domínio. Prova de que a autonomia dos cidadãos era reconhecida, estava no fato de que em várias cidades as assembléias e o conselho, mesmo com poderes reduzidos, foram mantidos.

A religião, Reis e Deuses na Mesopotâmia

Uma história completa da religião mesopotâmica no terceiro milênio, sobretudo na sua metade inicial, não poderia ser escrita com precisão devido à falta de fontes sólidas de informação. Uma das explicações para tamanha complexibilidade de análise é de que na verdade não devemos falar em uma religião e sim, de religiões. Aponta-se uma religião em três níveis: A sacerdotal, praticada nos templos, centrada na imagem divina em seu santuário, a religião monárquica, que se referia as funções religiosas reservadas ao soberano e a religião dos homens comuns, que só participavam de longe ou como espectadores da maioria das grandes cerimônias religiosas oficiais.
Na concepção mesopotâmica do universo, não existe qualquer separação entre o mundo humano, o natural e o divino. Não há diferenças entre coisas animadas e inanimadas pois que tudo é criação dos Deuses. Todas as regiões de funcionamento deste universo, criado pelos Deuses, são ditadas por eles, existindo total homogeneidade de princípios e funcionamentos entre os níveis do humano e do divino.
Também a monarquia é uma criação divina, a realeza desceu dos céus não uma, mas duas vezes, a primeira humanidade irritou os deuses e foi eliminada pelo dilúvio onde somente o rei Ziusudra de Shuruppak, juntamente com sua mulher, constituindo-se na semente da nova humanidade, segundo a “lista real suméria”.
Os vínculos entre o rei e o divino eram estreitos. Muitas vezes o soberano declarava-se filho direto de uma deusa, que esta o amamentara, sem, no entanto, que isso representasse uma divinação da pessoa real. O monarca governava, julgava, agia, combatia sempre como um representante da divindade e por isso, havia a necessidade de consulta constante aos desígnios supremo dos deuses. Mesmo os reis divinizados em vida, sempre proclamavam sua submissão aos deuses sumero-acadianos, a quem jamais buscaram equiparar-se e que certamente nunca quiseram substituir.

O caminho para a unificação

Existem provas indiretas da presença de sistemas locais de poder que merecem consideração, algumas centenas de anos antes da unificação do país. São estas provas: Existência de artesões de alta qualificação produzindo grandes quantidades de objetos cerimoniais; presença de celeiros de alta capacidade; passagem do cobre martelado a frio a metalurgia, o que supunha a exploração de minas; o transporte e armazenamento de minério; construções que exigiam para sua ereção algum sistema de distribuição de rações aos trabalhadores e, portanto, algum sistema de tributos que permitisse armazenar excedentes de cereais. Nesse momento as obras necessárias ao plantio eram ainda insignificantes e realizadas de forma regional, não servindo, portanto, ao propósito de considerá-las responsáveis pelo processo de centralização do estado. Estas obras estariam ligadas a certa área regional, que mais tarde vieram a transformar-se em províncias do Egito centralizado. É possível imaginar que nestes territórios (nomos), surgissem relações urbano-rurais nascentes e o aparecimento de núcleos político-territoriais definidos, cujo conflito deve ter desembocado em confederações cada vez maiores até que, por fim, emergisse o reino unificado do Egito, duplo sim, Vale e Delta, mas com um único monarca.
Não existem indicações de escassez da terra no Egito, o que se ocorresse poderia justificar a guerra, e uma provável unificação, no entanto devemos observar que nem sempre a guerra seja realizada por questões de conquista de territórios, ou competição por recursos agrícolas, portanto, existe a possibilidade de que elas tenham ocorrido por motivos diferentes deste e que estejam relacionadas às origens do antigo Egito.

O efeito do Nilo

Diferentemente dos rios mesopotâmicos, o rio Nilo, tem o seu momento de cheia no auge do verão, quando suas águas retornam ao leito, é o momento exato em que deve ocorrer o plantio, salvo exceções, suas cheias são menos destruidoras que as cheias do Tigre e do Eufrates, contribuindo para que o sistema de irrigação, barragens e drenagens jamais tinham sido desenvolvidas ao mesmo nível das estruturas mesopotâmicas. Com bacias naturais, auto drenáveis, e independentes, praticamente garantia a impossibilidade de conflitos pela necessidade de controle da água entre as diferentes regiões.

O estado do terceiro milênio

Os egípcios dependiam menos que os mesopotâmicos do comércio exterior, para obtenção de matérias-primas, pois dispunham de minas de cobre, ouro e algum estanho, de pedra para construção e outros recursos. Grande parte destas reservas encontrava-se em territórios dominados.
A teoria político-religiosa da monarquia egípcia define o rei como centro de todas as coisas, incluindo até mesmo os países estrangeiros, destinados a serem subordinados por ele. O rei era visto como unificador, pacificador, construtor, aquele que tem direitos indiscutíveis, o único que deve ser obedecido.

As primeiras dinastias

Durante as três primeiras dinastias, aparece e consolida-se uma tradição cultural centrada no rei-deus. As instituições do governo ainda estão sendo formadas, o palácio real já é o centro da administração, a cobrança de tributos se faz sob a supervisão direta do soberano. Expedições militares externas são enviadas ao nordeste (Sinai), a oeste (Líbia) e ao sul (Núbia), para garantir as rotas comerciais e o fluxo de matérias primas e para a obtenção de mão-de-obra adicional na forma de prisioneiros de guerra.
A quarta dinastia é a dinastia dos construtores de grandes pirâmides, dura quatro séculos, é o auge do reino antigo. O aparelho do estado já está totalmente organizado, no início deste período a tendência era de entregar os altos cargos do estado aos parentes do rei, fato que foi modificado com o passar do tempo, formando-se então uma verdadeira burocracia administrativa. É sem dúvida o auge da centralização do poder do rei e da monarquia, em toda a história do Egito faraônico.
A quinta dinastia inicia com a afirmação do poder absoluto do Rei, ele fala em nome dos deuses, mas também no seu próprio, sendo igualmente divino. Regulariza-se a partir da quinta dinastia o titulo de “Filho de Ra”, até então outorgado esporadicamente. A maior complexidade do estado aumenta a necessidade de matérias primas e prisioneiros de guerra. Intensificaram-se as expedições militares sob o Reino Antigo, teve início à colonização egípcia no norte da Núbia. O contato marítimo com a Palestina e com a Somália passa a manter-se com alguma regularidade.

A religião, o rei e os Deuses

As crenças e cultos apresentavam-se ainda menos unificados e sistematizados do que na baixa mesopotâmia. Até o pré dinástico, cada aldeia possuía seu próprio Deus principal. Neste período podem ter ocorrido peregrinações a grandes centros religiosos, no entanto os deuses locais ainda eram supremos. Assim como na mesopotâmia pressupõem-se a existência de uma religião popular na grande maioria das vezes diferentes das cultuadas nos grandes templos e no palácio real. A unificação jamais colocou fim ao culto dos deuses locais: Alguns deuses dos Nomos chegaram a ser cultuados em todo o Egito. Um dos mecanismos de ascensão de importância de um deus regional era sua adoção em posição de destaque no culto monárquico. Os templos construídos em pedra, fechados a grande parte da população, considerados como a residência do deus. Desde o início do período histórico é atestado à presença de sacerdotes ligados aos templos, contudo, a hierarquia sacerdotal foi relativamente tardia: Somente na sexta dinastia os sacerdotes emergem como um grupo social diferenciado no interior do aparelho do estado.
O rei não era divino ao nascer, e sim ao ser coroado, tornando-se deus, o novo rei assumia de imediato a herança legítima dos deuses primordiais, que se acreditava, tinham reinado pessoalmente sobre o Egito num passado mítico. Assim o rei estabelecia uma linha de sucessão legítima que vai do deus primordial criador até sua própria pessoa.
Os egípcios acreditavam que o estado faraônico surgira concomitante com o ato da criação do universo, e duraria para sempre tanto quanto o próprio cosmo. Como filho do sol, o faraó é o senhor absoluto do território e dos habitantes do Egito. Como deus ele comanda a própria natureza inanimada e viva. Diante do rei, com exceção da família real, todos são plebeus, por igual, o faraó não era apenas um representante do deus, e sim o próprio deus vivo, sua presença no trono garante a cheia do Nilo, assegurando as boas colheitas e a fertilidade das mulheres e rebanhos.

Causas do declínio


São fatores apontados como causas do declínio do Egito dos faraós: excessiva importância e influência dos sacerdotes desde a quinta dinastia, recebendo doações e isenções fiscais que enfraqueceram o patrimônio estatal, a fraqueza pessoal de certos reis, o avanço do poder da hereditariedade nas funções de dirigentes das aldeias, contribuindo para o desmembramento temporário do Egito; uma grande revolta popular e a invasão de tribos asiáticas no baixo Egito.
No entanto nos dias atuais outras hipóteses são levantadas para as causas do declínio do Egito antigo. Dentre estas outras linhas podemos citar: Reforço progressivo no aparelhamento do estado e não sua deterioração ao longo da quinta e sexta dinastia. Ao final do terceiro milênio teria ocorrido um declínio drástico no nível de cheias do Nilo, multiplicando anos de fome, diminuição da população gerando assim um declínio de riquezas do estado, os valores das arrecadações despencam, diminui também a mão de obra para as principais obras públicas gerando queda na qualidade da administração, levando a grande insatisfação interna, somando-se isto aos problemas de ordem externa enfrentados, levando o grande império à queda a partir de aproximadamente 2150 a.c.


Celso de Almeida.


6 comentários:

alexandra disse...

oi celso tudo bem?? adorei seu blog,com certeza vai me ajudar muito nos trabalhos de aula.gostaria de uma ajuda sua. podes me falar um pouco sobre as principais caracteristicas que marcaram a educaçao na mesopotamia e egito?? gostaria de um resumo simples e facil.se vc pder me ajudar te agradeço.se puder mandar para meu email ate oj eu agradeço mais ainda.ja adicionei seu blog em meus favoritos.obrigada!!bjus alezudasc@hotmail.com

alexandra disse...

http://alexandra-freddiemercuryforever.blogspot.com/ esse é meu blog.

Anônimo disse...

nossa udo be bom esse blog parabens

Anônimo disse...

mtoooo bomm d++ continuemm assim PARABENS!

braview disse...

Eai gostei da historia da mesopotâmia

Nubia disse...

é muito legal essse texto aprendy mais sobre a mesopotamia!

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