Por: Celso de Almeida.
domingo, 20 de março de 2011
Globalização
Por: Celso de Almeida.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Hibridismo cultural e as Religiões afro-brasileiras
Canclini é um filósofo e antropólogo argentino, radicado no México, e sua linha de pesquisa foi a sociedade mexicana e seus processos de hibridação. Apesar de seus estudos terem sido realizados apenas na sociedade mexicana seus conceitos foram ampliados para toda a sociedade latina americana, não sendo uma prerrogativa de Canclini esta tendência totalizante naquilo referente a estudos de temas relacionados aos países latinos americanos.
E necessário contextualizar o hibridismo cultural proposto por Canclini para que a partir daí possamos dar conta do paralelo que poderá, ou não, aproximar sua proposta daquilo que entendemos no Brasil serem as religiões afro-brasileiras.
Para Canclini é fundamental a analise da diversidade americana, o que de certa maneira, produz uma especificidade relativa aos americanos, neste sentido também as religiões afro brasileiras possuem suas especificidades, o que as tornam “brasileiras” apesar de grande parte dos elementos culturais formadores estarem indubitavelmente ligados a África. A cultura de uma sociedade só pode ser explicada entendendo-se o povo que a produz, o que no caso do Brasil aponta na direção de uma palavra – mestiçagem – assim toda e qualquer manifestação cultural brasileira dificilmente deixará de carregar elementos formadores oriundos das diversas matrizes culturais participes da nossa base de formação cultural.
A noção do hibrido:
De forma bastante simplificada podemos dizer que para Canclini o processo de hibridação “caracteriza-se como o processo sócio cultural em que estruturas ou práticas, que existiam em formas separadas, combinam-se para gerar novas estruturas, objetos e práticas.” O que nos interessa é exatamente este conceito, é a partir dele que apontaremos os processos formadores das religiões afro-brasileiras. Afinal os cultos afro-brasileiros são parte de nossa cultura, e esta é nada mais que o resultado da interferência na natureza, criando códigos, sinais e comportamentos artificiais que identifiquem grupos específicos e criem condições adequadas para satisfazer suas necessidades. O universo da cultura está ligado ao cotidiano, onde se apresentam os aspectos da vida, físicos, simbólicos e imaginários. E, principalmente no que se refere à cultura popular, é difícil separar a esfera material da espiritual, o novo do velho, o sagrado do profano, o original da réplica.Na América Latina, por sua vez, a abrupta interpenetração e coexistência de culturas estrangeiras e dissimiles gerou processos de mesclagem que, em diferentes momentos do século XX, serão chamados de ocidentalização, aculturação, transculturação, heterogeneidade cultural, globalização e hibridismo. Tais terminologias desenvolveram-se no afã de designar os novos processos e produtos resultantes das ordens simbólicas, que, desde o final do século XV, concorreram para a formação dos países latino-americanos.
Para Canclini, são justamente resultado desse hibridismo: as manifestações em suas novas configurações, os códigos novos, os elementos atualizados e sua resignificação. É a partir desta contextualização que passaremos a relacionar os estudos de Canclini com a formação das religiões afro-brasileiras.
Os escravos africanos eram proibidos de praticar suas várias religiões nativas. A Igreja Católica Romana deu ordens para que os escravos fossem batizados e eles deveriam participar da missa e dos sacramentos. Apesar das instituições escravistas e da Igreja Católica Romana, foi possível aos escravos comunicar, transmitir e desenvolver sua cultura e tradições religiosas. Vários fatores ajudaram a manter esta continuidade: os vários grupos étnicos continuaram com sua língua materna; havia certo número de líderes religiosos entre eles; e os laços com a África eram mantidos pela chegada constante de novos escravos, além da ida de escravos libertos que puderam viajar para áreas dos Yorubás onde foram iniciados no culto dos Orixás e então, ao retornar ao Brasil, puderam fundar terreiros a revitalizar a prática religiosa.
Para pensarmos em religiões afro-brasileiras utilizaremos o conceito de religião estabelecido por Clifford Geertz:
Quando as religiões afro-brasileiras começaram a aparecer, o conceito de nação ganhou nova força e significado, em parte como um símbolo de transmissão de tradições religiosas locais, e em parte como uma marca da identidade étnica. As religiões afro-brasileiras constituem um fenômeno relativamente recente na história religiosa do Brasil. Por exemplo, o primeiro terreiro de Candomblé, localizado na Bahia, é geralmente situado no ano de 1830, muito embora manifestações de cunho religioso são registradas desde os anos 1600, através de documentos da inquisição. O Candomblé, a mais tradicional e africana dessas religiões, nasceu na Bahia e desde longa data tem sido sinônimo de tradições religiosas afro-brasileiras em geral.Um sistema de símbolos que atua para estabelecer poderosas penetrantes e duradouras disposições e motivações nos homens através da formulação de conceitos de uma ordem de existência geral e vestindo essas concepções com tal aura de factualidade, que as disposições e motivações parecem singularmente realistas.
Inegavelmente as religiões afro-brasileiras são o encontro dos elementos culturais africanos com aqueles vindos da Europa Ocidental e Oriente Médio, além daqueles nativos no próprio Brasil. Decorrente desta forma de “criação” um questionamento surge em determinados debates, teriam as religiões afro-descendentes direito de serem consideradas como religião? A resposta de Joseph Ki-Zerbo a este propósito é:
E a história da formação da religião afro-brasileira se desenvolveu de forma diversa nas diferentes regiões do Brasil. Esta diversidade se deve a muitos fatores: a presença de diversas tradições religiosas africanas; as condições sob as quais estas tradições foram preservadas não foram as mesmas. As formas religiosas do cristianismo, espiritismo, etc., com as quais se “misturaram (sincretismo religioso)” se encontraram e portaram-se de forma diversificada. Como diz Rita Amaral:se a religião como a crença a um ser transcendente no qual é ligado pelos deveres, e por direitos, ao qual as pessoas tem contas a prestar, ao qual se fazem sacrifícios, se imploram por alguma coisa e se agradece, então há efetivamente religiões na África tradicional.( ...) Estas religiões crêem quase todas em um Deus Supremo, um Ser Supremo, que é o soberano absoluto no que concerne ao Cosmos, à humanidade inteira, à natureza com todos os seres vivos, os animais, homens, etc.
As tradições de origem africana foram construídas, reconstruídas, inventadas, reinventadas e às vezes, abandonadas ou recuperadas conforme as necessidades e as circunstâncias do momento. Todos estes fatores tiveram conseqüências diretas ou indiretamente na formação de diversos tipos de rituais e nas várias denominações que hoje encontramos.Ao panteão africano traduzido para o catolicismo (Iansã é Santa Barbara, Oxum é Nossa Senhora Aparecida), a umbanda acrescentou os preto–velhos, índios (caboclos) boiadeiros, [pomba giras], ciganos, baianos, marinheiros, divinizando e valorizando os brasileiros representantes dos grupos marginalizados.
A religião Afro-brasileira é, aparentemente, em muitos casos, contraditória. A sua história é cheia de conflitos e contradições. E a fidelidade simultânea à África e ao Brasil (à antiga e à nova respectivamente) é, talvez, uma contradição em si. Mas é, ao mesmo tempo, uma fidelidade à própria história, da qual ambas fazem parte. Contudo, tanto a preservação da tradição, dos elementos antigos, como a acolhida de novos componentes convergem para uma única identidade da religião Afro-brasileira, a religiosidade Africana na diáspora.
Roger Bastide aponta na direção de que tudo é conservado na memória coletiva, assim sendo, a reconstituição do passado é possível, recriando-se os laços rompidos com a cultura de origem. Trata-se, pois, de preencher as lacunas, os vazios deixados pelo desenraizamento que foi a escravidão e pela “estrutura do segredo” na base da hierarquia da religião Africana; causas do desaparecimento progressivo da memória. Isso não impede a penetração do presente no passado, pois, todas as imagens da tradição não são reativadas, somente aquelas são coerentes com o presente.
Dentre as religiões afro-brasileiras destacam se no Brasil o candomblé e a umbanda e o termo afro-brasileira está evidentemente associado a idéia de uma África legitimadora, berço destas religiões. Os terreiros de candomblé se autodenominam como herdeiros de diferentes tradições africanas, muito embora o termo seja de origem banto.
Roger Bastide descreve assim o candomblé:
A umbanda é marcada pelo sincretismo de várias correntes religiosas, por isto durante longo tempo os praticantes das religiões afro-descendentes legaram a ela e a todas as práticas mais próximas de em sincretismo um termo que as depreciava, como se entre as religiões afro houvesse um grau de hierarquia (como se isto fosse possível em termos religiosos!), chamavam-nas por isto de “inferiores misturas”.O candomblé é mais que uma seita mística, é um verdadeiro pedaço da África transplantado. Em meio às bananeiras, às buganvílias, às arvores frutíferas, às figueiras gigantes que trazem em seus ramos os véus esvoaçantes dos orixás, ou à beira das praias de coqueiros, entre a areia dourada, com suas cabanas de deuses, suas habitações, o lugar coberto onde à noite os atabaques com seus toques chamam as divindades ancestrais, com sua confusão de mulheres, de moças, de homens que trabalham, que cozinham, que oferecem às mãos sábias dos velhos suas cabeleiras encarapinhadas para cortar, com galopadas de crianças seminuas sob o olhar atento das mães enfeitadas com seus colares litúrgicos, o candomblé evoca bem essa África reproduzida no solo brasileiro, de novo florescendo. Comportamentos sexual, econômico e religioso formam aqui uma única unidade harmoniosa.
Com intenção de desmistificar a macumba , para propiciar melhor aceitação do negro na sociedade de classes. A umbanda surge no momento em que o Brasil começa a tornar-se uma sociedade mais urbano-social, e o negro como parte integrante desta sociedade também é atingido pela necessidade de mudanças, dando causa a uma re-significação de sua religiosidade. Um movimento de transformação social significa também um movimento de mudança cultural, assim sendo, algumas práticas afro-brasileiras se modificam tomando um novo significado dentro do conjunto da sociedade global brasileira.
Conclusão
A palavra reinterpretação sempre me vem a mente quando penso em religiões afro brasileiras, não me reporto a nenhuma denominação em especial análise, a conclusão a que se chega após a análise do conceito de hibridismo cultural de Canclini relacionado as representações religiosas de matriz africana e por isto chamadas de afro-brasileiras, é de que no conjunto, estas religiões em maior ou menor grau de proximidade com os cultos tradicionais africanos, são na realidade religiões brasileiras, vale lembrar que a grande maioria das religiões africanas são monoteístas, no entanto suas “descendentes” brasileiras não o são. O candomblé faz uma tentativa de manter-se o mais próximo possível de sua matriz africana, mas não consegue. E a umbanda mostra-se claramente uma religião sincrética, dando mostras claras das influencias absorvidas de outras religiões, tendo absorvido sincretismo católico, mais que isto, assimilou preces, devoções e valores católicos que não fazem parte do universo do candomblé. Cultura é sobre tudo troca reinvenção, acumulação e resignificação. Quando duas ou mais culturas entram em contato a troca de “sabedorias” é inevitável. Para a sobrevivência deste “choque” é necessária uma reinvenção constante, somente isto possibilita a manutenção de uma parte, ao menos, de uma memória cultural.
Aquilo que acumulamos é nossa cultura, saída da existência de conhecimentos passados, modificados e guardados através do tempo. Neste sentido prova-se que as religiões “afro-brasileiras” são conseqüências dos processos de hibridação por que passaram várias vertentes de ordem religiosas, a união destas, aliadas a necessidade de sobrevivência física e espiritual. Deram os moldes do que chamamos de religiões afro-brasileiras, e como toda cultura é viva, não devemos esquecer que a cada dia todos os processos culturais são reeditados e suas reinvenções são ainda constantes. Em processos culturais poderemos até encontrar de onde viemos, ou quais as origens de nossa formação, mas sua constante adaptação torna impossível detectar para onde iremos.
Por:Celso de Almeida.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A Partilha da África - Teorias explicativas
A Teoria econômica
A princípio ninguém se opunha a idéia do caráter econômico para a explicação da expansão imperialista, mesmo entre os especialistas não-marxistas. As origens teóricas desta noção surgem em 1900 quando Rosa Luxemburgo apresenta o imperialismo como último estágio do capitalismo. A clássica forma desta teoria esta contida na afirmação de John Hobson:”a superprodução, os excedentes de capital e o sub-consumo dos países industrializados levaram-nos a colocar uma parte crescente de seus econômicos fora de sua esfera política atual e a aplicar ativamente uma estratégia de expansão política com vistas a se apossar de novos territórios”. Para Hobson esta seria a raiz econômica do imperialismo, e mesmo com a atuação de outras forças, e apesar delas, a decisão final ficaria com o poder financeiro.
Lênin salientava que o novo imperialismo caracterizava-se pela transição de um capitalismo de orientação “pré-monopolista”, no qual predominava a livre concorrência e que prosperava exportando mercadorias, para o estágio do capitalismo “monopolista”, em que o avanço depende da exportação de capitais, e intimamente ligado a intensificação das lutas pela partilha do mundo.
Nacionalistas, revolucionários do terceiro mundo, uniram-se a numerosos especialistas marxistas, na aceitação do imperialismo como resultado de uma exploração econômica descarada. Muito embora nem Lênin nem Hobson tenham se ocupado do caso específico da África, não resta duvidas de que suas observações contribuíram na analise da história da África. Não podemos descartar o fator econômico da partilha, mas, não podemos reduzi-la a este único fator.
As Teorias psicológicas
As chamadas teorias psicológicas estão divididas aqui em: Darwinismo social, Cristianismo evangélico e Atavismo social. Basicamente estas teorias apontam na direção de uma superioridade da “raça branca” em relação ao africano, o que de certa forma justificaria a colonização.
Darwinismo social
Tendo como fonte de inspiração o livro “A origem das espécies por meio da seleção natural, ou a conservação das raças favorecidas na luta pela vida”, escrito por Darwin e publicado em 1859, onde se basearam os analistas para justificar a partilha como algo natural, pois era destino da “raça superior” conquistar e dominar as chamadas “raças não evoluídas”.
Cristianismo evangélico
Para o cristianismo evangélico a teoria de Darwin representava uma grande heresia, muito embora discretamente aceitasse as implicações racistas da obra. As conotações racistas do cristianismo evangélico ficavam encobertas por “zelo humanitário” e “filantropia”, idéias muito disseminadas entre os governantes europeus no período da partilha e colonização da África. Sustentava-se desta forma a necessidade de “regenerar” os povos africanos. Apesar da provável participação de missionários nos preparativos para a colonização da África, apenas este fator não se sustenta como uma teoria geral da ação imperialista na África, haja visto que esta teoria é limitada e não contemplaria uma análise por toda África.
Atavismo social
Joseph Shumpeter foi o primeiro a explicar o imperialismo em termos sociológicos, para ele os fatores psicológicos superam os fatores econômicos na explicação da colonização da África. Segundo Shumpeter o desejo natural do homem em conquistar e subjugar outro homem, estava intimamente ligado ao processo imperialista da África. A expressão atavismo social é relacionada por uma manifestação de uma regressão aos instintos políticos e sociais do homem primitivo. Shumpeter defende que o capitalismo é antiimperialista, e que por isto mesmo a teoria econômica deveria ser descartada como possibilidade de análise da colonização.
As teorias psicológicas, podem sim conter verdades, que ajudam a compreender a partilha da África, no entanto, não conseguem explicar porque esta ocorreu neste exato momento, e não em outro momento qualquer. Apesar de não dar conta de uma explicação do porque da partilha, fornece elementos na direção de explicar porque a partilha foi possível e até considerada desejável.
As Teorias diplomáticas
Oferecem uma explicação puramente política para a partilha da África. É talvez a mais comumente aceita. Para analisá-las dividiremos em: “prestígio nacional”, ‘o equilíbrio de forças” e a “estratégia global”.
Prestígio nacional
Carlton Hayes, defende que o novo imperialismo era um fenômeno nacionalista. E que os defensores do imperialismo possuíam sede ardente de reconhecimento e prestigio nacional, assim resumido por Hayes: “ A França procurava uma compensação para as perdas na Europa com ganhos no ultramar. O Reino Unido aspirava compensar seu isolamento na europa engrandecendo e exaltando o império britânico. A Rússia, bloqueada nos Bálcãs, voltava-se de novo para a Ásia. quanto a Alemanha e a Itália, queriam mostrar ao mundo que tinham direito de realçar seu prestígio, obtido à força na Europa por façanhas imperiais em outros continentes. As potências de menor importância, que não tinham prestígio a defender, lá conseguiram viver sem se lançarem na aventura imperialista, a não ser Portugal e Holanda, que demonstraram renovado interesse pelos impérios que já possuíam, esta última principalmente, administrando o seu com redobrado vigor."
Equilíbrio de forças
F. H. Hinsley destaca que o desejo de paz e de estabillidade europeu foi a principal causa da partilha da África. Segundo Hinsley a partir do Congresso de Berlim, as nações européias estiveram a Beira de um conflito generalizado, que somente não ocorreu por habilidade dos estadistas. No entento, havia um crescente conflito de interesses na África, que ameaçava a paz na Europa, portanto, segundo Hinsley, não havia outra forma de manter a paz e a estabilidade européia senão com a partilha da África.
Estratégia Global
Se pensarmos em uma frase que resumisse a idéia da estratégia global poderíamos dizer que: “A grande responsabilidade pela partilha da África é dos próprios africanos.” A chamada Estratégia Global acendeu entre os especialistas em historia da África reações negativas, no entanto, foi irresistível entre historiadores não africanistas e mesmo junto ao grande público, mas, uma analise mais profunda desta tese torna difícil sua aceitação.
Os grandes defensores desta teoria, Ronald Robinson e John Gallagher, atribuem a responsabillidade da partilha aos movimentos “protonacionallistas” na África, que passaram a ameaçar os interesses estratégicos globais das nações européias. Estas “lutas românticas”, segundo os autores, teriam culminado por “forçar” os estadistas europeus a partilhar a África, mesmo contra sua própria vontade, em defesa dos interesses de suas nações no âmbito global.
Teoria da Dimensão africana
Esta teoria admitia superficialmente os motivos econômicos da partilha, mas não como elemento principal. Nos anos de 1930, George Hardy, especialista em História colonial francesa, demosntrou a importância dos fatores africanos locais da partilha, tratando a África como uma unidade histórica.
Tratar a África apenas no quadro ampliado da Europa é um erro grave, estaríamos de certa forma, negando a existência de “vida inteligente” no continente africano. É necessário examinar os motivos da partilha do ponto de vista das sociedades africanas. Uzoigwe acredita que as teorias eurocêntricas que explicam a partilha completam-se com a teoria da dimensão africana, rejeita, no entanto, a idéia de que a conquista do continente africano era inevitável, para ele existiu um processo que iniciou-se bem antes do século XIX, e que os faotres econômicos foram vitais na tomada de decisão da conquista e partilha. Precipitados é bem verdade, pelas resistências africanas a invasão crescentes executadas pela Europa, o que teria militarizado o processo de ocupação.
Por; Celso de Almeida
Resumo do texto: Partilha eurpéia e conquista da África de Godfrey N. Uzoigwe.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Rio de Janeiro colonial – a vocação para o comércio
Por: Celso de Almeida.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Escravidão, construção da identidade e a Guerra de secessão dos Estados Unidos da América
Por: Celso de Almeida.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
O clientelismo no Brasil dos oitocentos-análise.
As notícias em Paris: Uma pioneira sociedade da informação no Séc. XVIII
sexta-feira, 31 de julho de 2009
A UNIVERSIDADE E A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA O SÉCULO XXI
Os caminhos para a excelência pessoal e profissional passam, necessariamente pela educação. É especialmente nos ambientes universitários, que os sujeitos despertam suas consciências para a necessidade de se tornarem competentes, com o objetivo de se diferenciarem enquanto profissionais. Percebe-se aí, um caminho fértil para os educadores contribuírem, de modo relevante, para que os futuros profissionais capacitem-se na arte do saber, do saber fazer, do saber ser e conviver (DELORS, 1996).
Este artigo aborda a temática do ensino superior, alertando para a importância de se planejar e organizar um currículo que complete, no mesmo grau de importância, conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, visando à formação de profissionais competentes, capazes de atender às exigências do seu entorno social.
O ensino superior tem figurado, atualmente, como tema polêmico e vem suscitando uma série de questionamentos e reflexões sobre o papel da universidade na formação de profissionais habilitados a lidar com a complexidade dos desafios que emergem, na sociedade mutante deste novo século. O mercado de trabalho vem mostrando-se, cada vez mais exigente, em qualquer área de atuação. Não basta ter conhecimentos científicos elaborados e saber aplicá-los, de modo comum, do jeito que todo mundo faz. É preciso ir além, demonstrar criatividade para inventar um jeito próprio, fugir do que é tradicional. Essa é uma aprendizagem que a universidade precisa desafiar seus acadêmicos a construir. Para isso, precisará vencer alguns limites, alargar horizontes e passar do ensino marcadamente teórico, acadêmico, para o ensino e a aprendizagem de conteúdos procedimentais e atitudinais.
Na concepção de Zabala (1999) a aprendizagem de conteúdos procedimentais implica em aprender a fazer, na prática, aquilo que assimilou na teoria. Bem se sabe que o mercado de trabalho, as organizações que geram empregabilidade procuram um perfil de profissional, que, seguramente, não é aquele que apresenta o maior numero de títulos. É o que consegue ser capaz de demonstrar o que sabe e, em igual grau de importância, mostrar o que sabe fazer com os conhecimentos construídos, bem como, mostrar as competências do ser, as vivencias que lhe são proporcionadas no ambiente da organização.
Seguindo essa linha de raciocínio, indaguemo-nos: - Como estão sendo trabalhados os conteúdos procedimentais e atitudinais nas nossas universidades? Certamente os conteúdos conceituais estão sendo muito bem elaborados e ensinados. Mas isso, somente, não capacita os estudantes a exercerem a profissão escolhida, com chances de sucesso.
Demo (1999), ao discorrer sobre os desafios modernos da educação, questiona, de forma contundente, o papel da universidade. Na sua concepção, a universidade não pode se constituir num campus repleto de salas de aula, mas num lugar onde se fomenta a produção própria qualitativa, o “saber-fazer” e não o seguimento de caminhos desvendados e trilhados por outros, como mera copia da produção alheia. Se é da pratica que emerge a teoria, é com ela que os estudantes precisam ser desafiados a estabelecer vínculos concretos para a aprenderem a fazer.
A realidade difere um pouco de como se apresenta na teoria. Ela nos surpreende com seus imprevistos, suas peculiaridades, já que resulta de um processo vivo, dinâmico. Nenhum padrão se adapta nesses contextos. É por isso que nossos estudantes precisam fazer vivencias que lhes permitam descobrir sua potencialidade e seu grau de limitação, podendo assim, ir aparando arestas, aperfeiçoando métodos, processos, amadurecendo raciocínios, melhorando concepções sobre padrões valorativos e ir transformando comportamentos e atitudes. Isso é aprender.
Demo (1999) sinaliza que educação deve significar, na sua essência, emancipação, ou seja, a possibilidade de se aprender a fazer com autonomia e condena aqueles professores que só socializam o conhecimento, passando informações sobre a matéria, denominando-os de “auleiros”. A crítica de Demo mostra-se mais aguda, quando anuncia que: “Quem permanece no mero aprender, não sai da mediocridade, fazendo parte da sucata” (ibidem, p.131).
O que o autor nos traz, como ponto de reflexão, é que a vida acadêmica precisa ultrapassar o âmbito do conhecimento teórico. Alem da qualidade formal, técnica, igualmente imprescindível, é que nossos acadêmicos aprendam, no exercício da pratica, como ser um profissional de excelência, preparando se para lidar com exigências de uma sociedade em continuo e irreversível processo de mudança.
Demo define produtividade como a capacidade de pensar e intervir na realidade e alerta para o fato de que a universidade precisa preparar seus estudantes para consolidar essa competência nos espaços que vem urgindo no mundo moderno; ressalta que a formação desses sujeitos deve contemplar “visão e ação sempre renovadas em termos de inovação cientifica e tecnológica, nas quais, capacidade laboratorial, experimental, é crucial” (1999 p.132).
Há que se refletir, igualmente, sobre a importância de se trabalhar com conteúdos atitudinais. Esses, não são conteúdo só para educação básica, como se pensa comumente. O processo de amadurecimento e evolução do ser humano não obedece a ciclos específicos; ele é permanente, gradativo e acontece por meio da educação. Como formar bons profissionais se não cuidarmos da formação das suas atitudes? Não há como. É fazer trabalho pela metade.
Se a universidade almeja realizar um processo ensino-aprendizagem de relevância para o contexto social onde se insere, os educadores precisam desafiar-se a pensar formas de trabalhar conteúdos atitudinais. Esses futuros profissionais precisam aprender que conviver num ambiente de trabalho implica em respeito a regras, atitudes de cooperação e não de competição, em disciplinar a vontade para fazer escolhas que só a médio ou longo prazo lhes trarão retornos satisfatórios; precisam aprender a desenvolver inteligência emocional através do autoconhecimento, para construírem uma auto-estima saudável e desenvolver resiliência, para superar seus próprios limites diante de frustrações e de situações-problema que terão de experimentar, inevitavelmente, no curso da vida. Para ser educador, é preciso entender de gente, buscar nos estudos da psicologia, fundamentos para saber lidar com o comportamento humano; pesquisar e descobrir dinâmicas, textos, músicas, documentários, filmes e outros meios que sirvam como ponto de partida para a discussão, reflexão, formação de conceitos e de atitudes em relação a estes conteúdos, tão valorizados na composição de um perfilo de profissional para a propriedade do século XXI.
Conforme sugere Oliveira (1997, p.17) “Devemos analisar as implicações de uma visão global da pessoa humana em seus aspectos racionais, afetivos e emocionais, pois precisamos nos livrar dos paradigmas despersonalizantes e puramente racionalistas pelos quais a pessoa humana não é tratada em sua globalidade, mais aparece como peça de uma engrenagem”.
A discussão sustentada ate aqui pretende servir como uma proposta de reflexão, de análise, de possíveis planos coletivos e individuais Ed ação, em âmbito de universidade. Todos precisam chamar, para si, a responsabilidade de contribuir na formação de profissionais competentes no domínio do saber, do saber-fazer e do saber-ser junto aos outros, abrindo possibilidades para uma convivência enriquecedora, de trocas salutares, inteligentes, que contribuam para o crescimento das pessoas e das organizações.
Cabe um chamamento aos estudantes da academia. É importante lembrar-lhes que cada escolha implica numa renúncia. E, a escolha por ser um profissional que fará a diferença no mercado de trabalho, implica em empreender esforço próprio, disciplinar a vontade, não ficar à espera que milagres aconteçam tão-pouco “pegar carona” na vida de outros, na dependência eterna da famigerada “cola”, ou pedindo para que acrescentem seu nome ao trabalho do qual sequer conhece o conteúdo. Dignidade, respeito pessoal e profissional constrói-se desde o início da formação. Luft (2004, p.107) defende uma tese interessante: “Acredito que viver é elaborar, é criar: são inevitáveis as fatalidades, doença e morte. O resto – que é todo o vasto interior e exterior – eu mesma construo. Sou dona do meu destino. É mais cômodo queixar-me da sorte em lugar de rever minhas escolhas e melhorar meus projetos”.
É comum alguns estudantes encontrarem inúmeras justificativas para não fazerem, bem feito, aquilo que deles se exige. Essa postura não soma. Subtrai. Profissionais excelentes, que se destacam que são referencias na sociedade, não se construíram, assim, por acaso ou por influencia de qualquer traço de herança genética. Mas porque lutaram contra seu próprio desanimo, enfrentaram seus medos, construíram crença na sua capacidade, no poder divino que habita em seu interior e foram à luta, sem poupar-se, sem terem pena de si mesmos. Vale refletir sobre o alerta de Luft (ibidem, p.39) que vem reforçar esta reflexão: “Não é só culpa dos outros se ficamos truncados. Em cada estágio podermos colorir algum traço, algum ponto, alguma cor no projeto de quem pretendemos ser”.
Eis o importante desafio que se Poe diante de educadores, de acadêmicos e da universidade, como um todo: empreender esforços e reunir o máximo de entusiasmo, de desejo interior para saber mais, fazer melhor e trabalhar para fazer aflorar todas as potencialidades do ser, educando-se e colaborando na educação dos outros para que todos se formem profissionais capazes de fazer a diferença, tornarem-se referencia e fazerem-se necessários, imprescindíveis onde quer que atuem.
“Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.” (Bertold Brecht)
Referências
DELORS, Jacques et al. Educação, um tesouro a descobrir. Relatório da comissão internacional sobre educação para o século XXI. Lisboa: Asa, 1999.
DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. 8. Ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
LUFT, Lya. Perdas e ganhos. 19. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.
ZABALA, Antoni. Como trabalhar os conteúdos procedimentais em aula. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
Resumo
Autora: Marisa Crivelaro da Silva



